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Artigo · Cirurgia refrativa

Cirurgia refrativa em Brasília: LASIK, PRK ou SMILE — qual combina com a sua córnea?

Dra. Luiza Mello · Oftalmologista·CRM-DF 24734

Quem cansou dos óculos chega com a pergunta pronta: qual é a melhor técnica, LASIK, PRK ou SMILE? Vou dar uma resposta que talvez surpreenda: a técnica é a parte menos decisiva. O que define o seu resultado, e a sua segurança, é se a sua córnea pode ser operada e qual método ela pede. A córnea decide antes de você.

O que as três têm em comum

As três corrigem o grau remodelando a córnea com laser, para que a luz volte a focar na retina e você dependa menos dos óculos para longe. E todas funcionam muito bem. Num estudo comparativo recente, a proporção de pacientes que enxergaram 20/20 ou melhor sem óculos foi de 95% no LASIK, 94% no PRK e 94% no SMILE, sem diferença estatística entre elas. A satisfação foi alta nos três grupos. Ou seja: a pergunta certa não é "qual entrega mais visão", e sim "qual é a mais adequada ao meu olho".

As três técnicas, e onde cada uma se destaca

PRK. A mais antiga e ainda muito usada. O laser remodela a córnea pela superfície, depois de remover a camada mais fina (o epitélio), que se regenera sozinha em poucos dias. Não cria nenhum corte profundo, o que a torna a escolha mais segura para córneas finas e para quem pratica esportes de contato. O preço é a recuperação: a visão leva de duas a três semanas para estabilizar e os primeiros dias incomodam mais.

LASIK. O laser de femtossegundo cria uma fina lâmina (o flap), levantada para o laser tratar a camada interna e depois reposicionada. A grande vantagem é a velocidade: a maioria enxerga bem em 24 horas, com pouco desconforto. Por criar o flap, exige uma córnea com espessura suficiente.

SMILE. A mais nova das três. Em vez de flap, o laser desenha um pequeno disco de tecido (lentículo) dentro da córnea, retirado por uma incisão de poucos milímetros. Por mexer menos na superfície, tende a preservar melhor a resistência da córnea e a causar menos olho seco, com recuperação em torno de uma semana. Funciona bem para míopes com astigmatismo dentro da faixa de correção.

PRK

Corte

Nenhum (tratamento na superfície)

Recuperação

2 a 3 semanas

Melhor para

Córneas finas e esportes de contato

LASIK

Corte

Flap (fina lâmina de córnea)

Recuperação

Cerca de 24 horas

Melhor para

Recuperação rápida, com córnea de boa espessura

SMILE

Corte

Incisão de poucos milímetros

Recuperação

Cerca de 1 semana

Melhor para

Menos olho seco; preserva a resistência da córnea

A técnica é o último passo, não o primeiro

Aqui está o que de fato protege a sua visão. Antes de escolher LASIK, PRK ou SMILE, eu preciso confirmar que operar é seguro para você. O exame mais importante é a topografia e a tomografia da córnea, que mapeiam o formato dela e procuram sinais de ceratocone ou de uma tendência a enfraquecer depois da cirurgia. Essa é a complicação mais temida da refrativa, e quase sempre evitável quando o rastreio é bem feito.

Entram também a espessura da córnea (define quanto tecido posso tratar com segurança e quais técnicas são possíveis), a saúde da superfície ocular (olho seco precisa ser tratado antes), o tamanho da pupila e, principalmente, a estabilidade do seu grau. Operar um grau que ainda muda leva à decepção, por isso peço que ele esteja estável há pelo menos um ano. Por essa razão também não opero adolescentes: o ideal é a partir dos 18 anos, com a refração já assentada.

Quem não é candidato — e o que fazer

Algumas pessoas não devem operar a córnea: quem tem ceratocone ou sinais de córnea frágil, córnea fina demais para o grau, grau ainda instável ou olho seco importante não tratado. Isso não significa ficar preso aos óculos. Para míopes altos ou córneas que não permitem o laser, existe a lente intraocular fácica (a ICL), implantada dentro do olho sem remover tecido da córnea, com ótimos resultados em casos bem selecionados. A conduta, de novo, sai do exame.

O que a cirurgia refrativa não resolve

Sou direta sobre isso para ninguém criar expectativa errada. Essas cirurgias corrigem o grau de longe (miopia, hipermetropia e astigmatismo), mas não congelam o tempo. Lá pelos 40 e poucos anos chega a presbiopia, a "vista cansada", e mesmo quem operou vai precisar de óculos para perto. E a catarata, que aparece mais tarde, é outra história, com solução própria. Operar a refrativa agora não impede nada disso, mas devolve anos de liberdade dos óculos no longe.

Como decidimos

A boa decisão é quase um processo de eliminação. Os exames mostram o que a sua córnea permite, e dentro do que é seguro eu encaixo a técnica que melhor serve à sua rotina, à sua profissão e ao seu tempo de recuperação. Quem precisa voltar rápido ao trabalho e tem córnea adequada se beneficia do LASIK ou do SMILE; quem tem córnea fina ou joga bola no fim de semana costuma se dar melhor com a PRK. Não existe técnica superior no vácuo, existe a indicada para o seu olho.

Se você está em Brasília e pensa em largar os óculos, o primeiro passo não é escolher a técnica, é fazer a avaliação que diz se, e como, dá para operar com segurança.

Pensando em largar os óculos?

A avaliação diz se a sua córnea permite operar e qual técnica é a mais segura para o seu caso.

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Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta oftalmológica. A indicação e a escolha da técnica dependem de avaliação médica individual e dos seus exames.